Copo de Zé

Admito eu sou o Breno.

Friday, December 15, 2006

O HOMEM QUE TINHA O CARACAO NO LADO DIREITO

Miguel tinha mania de dormir sobre as mãos, de bruços. Era escritor, não desses renomados, bonitões, capa dura, não. Miguel escrevia o que o povo pedia, o que o povo sentia. Eram cartas de analfabetos para familiares distantes, perdidos.
Um boteco no centro da cidade era o seu local de trabalho. Um real por folha escrita, mais alguns centavos para o envelope e o envio.
Tinha dias que enviava, mais eram minorias, dias de pequeno resumo:
- Te amo, até deus.
- Povo besta, dinheiro fácil, ele pensava.
Era uma quinta feira. Chegou cansado, não havia enviado se quer uma carta, tinha comido bem, não fazia calor, podia caminhar, mais resolveu não manda-las.
Caio na cama, de bruços como gostava, sentiu o coração bater, na palma da mão, pensou na vida, na mãe que perdeu jovem, no pai que nunca conheceu. E à medida que ia pensado o coração ia acelerando como um carro velho, desses antigos.
O colchão começou a flutuar, era uma outra dimensão, sentiu o teto bater nas costas, estaria bêbado? Queria acordar, não conseguia, queria entender ao menos, nada entendia, teve medo, medo de morrer ali naquela cama fedorenta, foi a primeira vez que sentia seu coração.
Saio do transe afoito, sem ar, com a mão esquerda no lado direito do peito, e pensou estar sonhando.
Como assim? – Dizia.
- Lado direito, como assim? Gritava, gritava, como nunca gritou.
Apenas gritava, não tinha coragem de se levantar, e andar, agora com o coração no lado direito, poderia morrer de enfarte a qualquer momento, um susto que fosse seria o suficiente. Lembrou de seu tio que morreu jovem, de um mesmo problema.
Não demorou muito. Miguel era capa de todos os jornais.
O HOMEM QUE TINHA O CARACAO NO LADO DIREITO
Começou as viagens com hotéis luxuosos, comida a qualquer hora, mulheres a qualquer preço, festas. E é claro sempre tinha uma parte chata, submetia-se a todos os tipos de exames possíveis. Vivia drogado de remédios cujo nome não sabia nem como se pronunciava. O mundo parou. Queriam um por que.
Queriam Revoluções, uma nova religião, um novo Deus.
O mundo era de Miguel.
Pensou em escrever um livro, mas não tinha criatividade de um autor. Pensou em ligar, mais não tinha a quem.
Escreveu então uma carta, o destino era o quarto, onde a sua vida, ele mudou.
Nela ele dizia:

Essa carta que aí chega escrita com a polca esperança de um homem sem apetite, que por sua indiferença, sofreu e foi consagrado. Dedico ä você desconhecido que abita o meu quarto e que mudou minha.

Com amor Miguel.


(E claro, a carta foi restrita , nunca chegou, fizeram dela as palavras do mês no mundo, e nada mais.
Miguel morreu dias depois, enfarte fulminante, como previa os médicos)

Tuesday, December 12, 2006

memórias do coco da minha sobrinha.

No fundo quem não gosta de uma gripezinha?
ficar em casa embrulhado na cama, café do lado, preguiça gostosa. Eu costumo olhar o teto, até a vista cansar.
...a gosma incolor desce o nariz vermelho, e é tanto o cansaço , que e preferível deixar ela ir de encontro com os lábios, mas a língua nunca deixa, ela sempre escapa da boca, como uma guardiã dos lábios, rápida, certa, você nem quis aquilo, não foi pensado, e como um beijo, uma vontade incontrolável querendo saber que gosto que tem... Gosto salgado desta vez, nem um pouco agradável!. Preferia o hálito da minha boca. No fundo gostamos de muitas coisas, mas esquecemos de pescá-las, deixando escapar. Jogar o anzol, com um pouco de amor na isca, e preciso.
Mas tem gente que prefere cagá-las.

Wednesday, November 08, 2006

Voltando as origens com Shins.



Yea yeahh.
Voltei!!! Voltei, voltei as minhas origens, esse blog ta muito intelectualoíde, metido a besta. Então pensei >>>>>PENSOU?? ATENCAO!!!>>>>> que tal retirar o intelectual e deixar só o loíde. Assim eu vou me sentir melhor.
E pra comemorar essa grande descoberta lhes dou o link do novo cd do Shins. Que e lindao por sinal.
Link - http://rapidshare.com/files/704019/The_Shins_-_Wincing_the_Night_Away.rar.html
Repararam que eu escrevo como se centenas de pessoas chatas e críticos entrassem no meu blog feio e tosco, pra ler essas abrobinhas?
Eu heim.



Bye.

Sunday, September 24, 2006

Fake Curly Hair

It was a strange time
I wondered for myself
What a terrible crime!
looking at a friend of mine

so funny that kind of boy
and he leapt for joy
but he really doesn't care
about his fake curly hair

he smokes his cigarette
but he wants to play trumpet
he makes part of the scene
he drinks a kind of gin

but no chance, you can't dare
he really doesn't care
it's not a nightmare
about his fake curly hair

even you know it's true
you haven't got a clue
and he will never be blue
and dance with Peggy Sue

by True Curly Hair

Saturday, September 16, 2006

Renata Pallottini - Poemas não são para serem publicados.

Poemas não são para serem publicados
poemas são Drag Queens
rolando piteiras em puteiros
ou somos nós,
poetas velhos de caras borradas
poetas de cinco centavos.

Poemas não são para serem publicados

Poemas são para serem escritos
às vezes rasgados
às vezes guardados
Podem ser confessionais,
imorais de vanguarda
Podem ser apenas
a voz humílima do guarda
Podem ser criança

Mas em Geral
são sem esperança
de serem publicados
Poemas custam caro
e não fazem o mesmo efeito de um choque
não fazem o efeito de um baseado
Poemas não servem para trepar
nem nada.

Nem sequer tente publicar seus poemas
faça-os voltar calados às gavetas
Com eles ninguém se meta

Dormirão como dormem os drogados:
tristes, gelados, pesados
mas serão sempre únicos
Sempre ineditamente mediúnicos

Sempre salvos das graças das prebendas
Sempre coisas pudendas (ainda que sujos)

Poemas, sempre úmidos
Noviços, fim de feira
maus de venda e de vida

Não são nem mesmo um incentivo à leitura,
pois quem vai ler linhas quebradas oriundas de alma idem?



Sunday, September 10, 2006

O fim da estória - Alejandro da Costa Carriles

Eu nunca sei quando as estórias acabam. Por isso sempre fico preso entre uma e outra, ou entre nenhuma e nenhuma outra; entre um recomeço sem fim e um fim sem término.

Talvez por ser mais espectador, ou coadjuvante, do que protagonista da minha vida, tenha essa enfermidade de não dar conta de quando baixa o pano.

As luzes apagam, o público sai, os colegas limpam a maquiagem e eu continuo lá: com a fala na cabeça, o texto decorado, aguardando a deixa.

A deixa que nunca vem.

Sempre tive medo das coisas e das pessoas. Um pavor e uma falta de fé. Talvez por isso eu tenha criado minha própria companhia teatral, onde sou diretor; contra-regra; atores e público.

Enceno só para mim uma tragicomédia.

A realidade me faz tão mal e me deixa tão fraco que fico, no fundo do palco, muitas vezes, a sussurrar o texto a mim mesmo.

Às vezes não ouço.

Quase sempre não ouço, porque sussurro baixo e minha voz é trêmula...

O público não entende a peça, logo, não aplaude. Eu, furioso, demito a todos: ao autor; ao diretor; aos atores...

Expulso o público do teatro e ateio fogo a tudo.

E ali dentro fico eu, junto às cortinas e aos holofotes, incandescentes; queimando, queimando, queimando...



Wednesday, September 06, 2006

big pink cheeks